APA – Araguaína

Por Cel PM Márcio Antônio Barbosa de Mendonça – Comandante-Geral da Polícia Militar do Tocantins

A morte do empresário Abimael Júnior abalou profundamente a sociedade palmense e trouxe grande comoção pública. Lamentamos essa perda irreparável e nos solidarizamos com familiares, amigos e todos os que sofreram com essa tragédia. Como consequência, surgiram críticas à Segurança Pública do Tocantins, especialmente direcionadas à Região Sul de Palmas. A preocupação é legítima; porém, esse movimento também traz à tona um equívoco recorrente: atribuir ao trabalho policial a responsabilidade exclusiva pela criminalidade.

A segurança pública, como determina o artigo 144 da Constituição Federal, é dever do Estado e responsabilidade de todos. A atuação da polícia é indispensável para a preservação da ordem, mas o enfrentamento das causas da violência exige muito mais do que apenas policiamento.

A fragilidade das ações voltadas às pessoas em situação de rua é um exemplo evidente dessa realidade. Sem ações permanentes de acolhimento, tratamento da dependência química e reintegração social, cresce a vulnerabilidade, o sofrimento humano e o risco de envolvimento em conflitos urbanos e delitos. O fechamento de unidades de acolhimento no município de Palmas, em 2023, reforça esse cenário de desassistência, cujo impacto não se limita ao campo social — ele se reflete também nos indicadores criminais.

No Sul da capital, parte significativa dos crimes contra o patrimônio envolve pessoas em situação de rua e dependentes químicos. A Polícia Militar atua diariamente com abordagens, prisões, presença ostensiva, investigações e resposta imediata às ocorrências. No entanto, quando um mesmo indivíduo é detido repetidas vezes e retorna ao mesmo ciclo de exclusão, fica evidente que o problema ultrapassa a esfera policial.

O caso do empresário Abimael Júnior ilustra essa situação com clareza. O agressor, que fazia uso de drogas, havia sido preso quatro vezes em 2025. A quinta prisão ocorreu logo após o crime que resultou na morte de um cidadão de bem. A tragédia escancara a urgência de políticas sociais integradas, capazes de interromper esse ciclo de violência e vulnerabilidade.

O cenário atual também revela uma dicotomia social que merece reflexão cuidadosa. Exige-se da polícia um resultado imediato diante de problemas que se acumulam há décadas, ao mesmo tempo em que há resistência ou desconforto diante das medidas que demandam firmeza e rigor no enfrentamento ao crime. A sociedade, por vezes afastada do debate sobre acolhimento, prevenção e reintegração, tende a criticar com maior intensidade a atuação policial quando esta precisa se intensificar. Essa contradição não enfraquece apenas o diálogo: ela dificulta a compreensão coletiva sobre segurança pública e, por consequência, a construção de soluções duradouras.

A Polícia Militar do Tocantins tem cumprido sua missão institucional com firmeza e resultados. Além das ações ostensivas, desenvolve programas de prevenção voltados a crianças e jovens, como escolinhas esportivas, atividades culturais, artes marciais, equoterapia e o Proerd. Essas iniciativas, embora silenciosas, contribuem para reduzir riscos sociais e ampliar oportunidades.

Também é importante reconhecer o impacto da tríade estruturante que sustenta o atual modelo de evolução e fortalecimento da Polícia Militar do Tocantins: efetivo, qualificação e logística. Esses três pilares caminham de forma integrada e produzem reflexos diretos na capacidade de atuação, na presença policial e na redução da criminalidade em todo o estado.

No campo da logística, houve renovação e expansão significativa da frota, com a chegada de viaturas novas, mais potentes e adaptadas à realidade operacional, além de motocicletas BMW, que ampliaram a agilidade e a capacidade de resposta. O investimento também contemplou o setor aéreo, com helicóptero e aviões, fortalecendo operações estratégicas e reduzindo o tempo de atendimento. Houve também aquisições de fuzis, pistolas e armas de incapacitação neuromuscular, garantindo maior segurança operacional aos policiais e maior eficiência nas abordagens. A incorporação de drones termais, equipamentos de visão noturna e sistemas avançados de monitoramento reforçou ainda mais a capacidade de prevenção e enfrentamento ao crime.

No eixo da qualificação, cursos de formação, aperfeiçoamento e especialização alcançaram 100% do efetivo nos últimos anos, garantindo atualização contínua, padronização técnica e excelência no atendimento à população.

Por fim, no eixo do efetivo, a ampliação de quadros, com a chegada de novos policiais, aumentou a cobertura territorial e fortaleceu o policiamento ostensivo, especialmente em áreas sensíveis.

Os resultados dessa tríade aparecem de forma clara nos indicadores: queda de 35,76% nos homicídios dolosos, acima da média nacional; primeira posição no país em redução de latrocínios, com 80% de diminuição; segunda posição em queda de lesão corporal seguida de morte, com 66,67%; e terceira posição em redução de feminicídios, com 33,33%. Além disso, o Tocantins destacou-se em operações importantes — como a Operação Canguçu — e não registra ocorrências de novo cangaço e domínio de cidades desde 2019.

Esse conjunto de ações colocou o Tocantins entre os estados mais seguros do país e demonstra que a segurança pública tocantinense não está em colapso, como alegam algumas narrativas recentes. Ao contrário, está avançando e se fortalecendo.

Ainda assim, permanece o desafio estrutural: não há combate à violência sem políticas sociais eficazes. A polícia age na ponta, mas é preciso que outros setores e a sociedade atuem na base do problema. Sem acolhimento, tratamento e reintegração, a criminalidade se retroalimenta.

Segurança pública não se faz apenas com polícia. Mas sem polícia, não se faz segurança pública.

O Tocantins conta com uma Polícia Militar preparada, presente e comprometida com a proteção da vida. Porém, a construção de uma sociedade mais segura exige responsabilidade compartilhada.

PMTO: Comprometida com a segurança de todos.

Cel PM Márcio Antônio Barbosa de Mendonça
Comandante-Geral da Polícia Militar do Tocantins